Materiam Superabat Opus

Brasão

Academia de Letras de Garanhuns

De autoria do acadêmico Paulo Gervais Veloso Filho,  o brasão da Academia de Letras de Garanhuns (ALG), possivelmente criado no ano de 1997, foi pensado para simbolizar o objeto artístico como resultante do esforço do artista sobre a matéria. É a partir da ação inteligente e sensível do artista sobre a natureza que se constrói a arte. E este objeto resultante não é o artista nem a natureza: é uma terceira realidade que constitui a dimensão estética. É uma “coisa mental”, porque necessita do homem para existir e ser percebido, mas se alimenta da natureza, que lhe dá a vitalidade da experiência.

 Assim, produto do homem que resulta ultrapassá-lo, feito da matéria da vida que resulta maior do que a experiência da própria vida, aponta pare este sentido a locução latina sobre o brasão: Materiam Superabat Opus, que significa que “o trabalho sobreleva a matéria”, expressão usada pelo poeta latino Ovídio, na descrição do Templo de Jerusalém (Metamorfoses, II, 5), aplicando-se, segundo o dicionário Priberam da língua portuguesa, a objetos de arte em que o trabalho do artista representa o valor muito superior ao da matéria trabalhada. O brasão é envolvido e definido por uma linha azul e encimado por duas linhas paralelas igualmente azuis, querendo representar o movimento da criação, que nunca cessa, como as linhas paralelas na direção do infinito, azuis como o céu, em construção permanente, criando e recriando-se. No centro do brasão, em vermelho, posto centralmente e só, a imagem representa o homem, com os pés enraizados na experiência da terra, da matéria, e os braços que se abrem, como se desabrochasse, para o céu, além, acima e maior do que ele, porque o homem é o lugar da criação e do seu testemunho. O centro é a experiência da beleza.